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  • Miranda Guimarães

Como tornar-se uma Multinacional sendo uma empresa brasileira de médio porte

por

M. A. Miranda Guimaraes[1]



Uma multinacional é uma empresa engajada em produzir e vender bens ou serviços em mais de um país. Normalmente consiste em uma empresa controladora situada em um país com pelo menos 5 ou 6 subsidiárias em países estrangeiros, com muita interação estratégica entre cada uma dessas unidades.


O processo de expansão internacional indica que uma empresa se transforma em multinacional por etapas.


Estudos demonstram que muitas multinacionais se formam aleatoriamente, desde um não planejado desenvolvimento resultante de uma série de respostas da empresa a uma variedade de ameaças e oportunidades.


Uma empresa situada em apenas um país fica muito fragilizada em relação às intempéries das variações políticas e econômicas de uma única jurisdição.


Uma movimentação multinacional já permite que uma empresa situe seu melhor potencial e fixe o seu melhor capital sempre em um local mais adequado e mais estável, contando frequentemente com legislações fiscais e monetárias mais benéficas.


O Brasil, por exemplo, enfrentou uma série de devastadores planos econômicos, inúmeras desvalorizações de moeda, controle excessivo de câmbio e comércio exterior, interferência pesada do estado na economia, atingindo em cheio o negócio das empresas. Todas as empresas brasileiras sofreram sérias baixas em todo esse caos econômico determinador de instabilidade, que assola o país de tempos em tempos.


Somente empresas estabelecidas em bases multinacionais não sofreram.


Numa estrutura transnacional, a empresa usa de cada país o seu melhor potencial.


Há exemplos de empresas que usam a China como produtora de mão de obra barata, posiciona sua base administrativa em Luxemburgo, contas gerenciadas em Nova Iorque, reservas financeiras na Suíça, setor comercial na Holanda e vendas finais nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha, pelo tamanho do mercado (como exemplo).


Há muito tempo ouvia-se falar de que determinada empresa era uma multinacional pequena. Era de se estranhar porque entendemos a expressão “multinacional” como um conceito de grandeza. No entanto, multinacional é apenas uma maneira de proteção empresarial e sentido estratégico. Um negócio estabelecido em mais de 5 países, combinando-se produção, fornecimento e vendas, para adequar a uma estrutura lucrativa em busca de uma estabilidade ideal e dinâmica. Dinâmica porque ela está pronta para mudar-se no momento exato em que a situação de vantagem deixar de existir.


Criar uma empresa pequena não é problema, nem mesmo aqui no Brasil. Também é fácil criar uma empresa pequena nos Estados Unidos ou na Ásia. Não é difícil manter uma empresa comercializadora internacional na Holanda. Mais cômodo ainda é montar uma sede administrativa - uma holding - para onde devem ir os lucros principais - na Suíça ou Luxemburgo, por exemplo. Igualmente os custos são muito baixos. Uma sala ou depósito, alguns poucos empregados, máquinas, poucos custos de manutenção legal por mês.


Mirar no alvo do mercado certo, por exemplo: Estados Unidos, porque é uma economia livre e é o maior mercado do mundo, com menos riscos; o mercado do oriente médio, como um mercado de maior risco; a Ásia - Hong Kong ou Singapura; Alemanha, um ótimo parceiro.


De repente, nossa média empresa brasileira possui uma sede na Suíça, uma unidade de produção no Brasil, quem sabe uma maquiladora no Paraguai ou utilizar porto livre no Uruguai, outra de compra e fornecimento de matéria prima na Argentina, uma comercializadora - que faz a parte comercial - na Holanda ou Uruguai, duas unidades vendedoras, uma nos Estados Unidos e outra na Alemanha, e “voilà”, aí está nossa pequena multinacional, longe das intempéries da política nacional e seus planos intermináveis. Logo-logo esta pequena empresa poderá se financiar com empréstimos de bancos internacionais a juros do mercado mundial, longe dos nossos juros estratosféricos. Mais um pouco adiante, ingressar no mercado de capitais e lançar ações em Bolsa de Valores internacional. A vida livre e estável dos mercados, seguros.

[1] Advogado, professor e escritor. Pratica Direito Internacional.

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